LUXAÇÃO CONGÊNITA
DEFINIÇÃO
Atualmente mais conhecida como Displasia do Desenvolvimento do
Quadril, nada mais é do que um deslocamento contínuo
dos ossos que formam essa articulação, em razão
de sua forma anormal. Ao invés da cabeça do fêmur
apresentar formato esférico, o que permitiria seu encaixe
anatômico na cavidade acetabular, que deveria ser côncava,
esses dois ossos apresentam formas anômalas. Essas deformidades
acabam comprometendo a própria estabilidade da articulação,
pelo escorregamento progressivo de um osso sobre o outro e a perda
das relações articulares.
O que já se sabe
- Acontece em aproximadamente três a quatro crianças
de cada grupo de mil nascidas vivas.
- Há um componente genético e familiar.
- Qualquer fato que cause um posicionamento anormal da criança
dentro do útero, como diminuição do líquido
amniótico, feto grande ou bebês nascidos em posição
de nádegas.
- Primeiro filho.
- Meninas são cinco a nove vezes mais acometidas do que
os meninos.
- O lado esquerdo, sozinho, está afetado em 60% dos casos.
- O lado direito, sozinho, está afetado em 20% dos casos.
- Os dois lados estão juntamente afetados em 20% dos casos.
PREVENÇÃO
A avaliação pré natal feita pelo obstetra
é fundamental para detectar o mais precocemente possível
a criança que apresente um perfil compatível com a
enfermidade.
O exame do pediatra ainda na sala de parto ao nascer pode detectar
os possíveis casos que deverão ser encaminhados ao
ortopedista o mais rapidamente possível.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é feito através do exame clínico
e de imagens. O especialista avalia o bebê encaminhado pelo
pediatra e movimenta os quadris, procurando testar sua estabilidade.
São as chamadas manobras de Ortolani e Barlow. Estes testes
podem ser negativos ou muito discretos e convém que a criança,
em caso de suspeita, seja reavaliada semanalmente no primeiro mês
de vida. Nas crianças maiores alguns sinais, como membros
inferiores de comprimentos diferentes ou pregas das coxas e nádegas
assimétricas, podem indicar a presença dessa patologia.
Nos bebês, prefere-se o Ultra-Som ao RX, por ser mais preciso.
Nas crianças maiores, o RX da bacia define o diagnóstico,
como na imagem abaixo, em que o quadril direito está luxado
e o esquerdo normal. Atenção que, em um exame radiológico,
a imagem situada à esquerda de quem o examina corresponde
ao lado direito do corpo e vice-versa.

TRATAMENTO
O tratamento depende da idade da criança. Se o problema
for detectado logo após o parto ou até os primeiros
seis meses de vida pode-se usar uma órtese, que é
um aparelho que visa imobilizar parcialmente os quadris, mantendo
a cabeça do fêmur centralizada dentro do acetábulo
e promovendo uma verdadeira remodelação articular.
Essa órtese, cuja ilustração aparece abaixo,
é conhecida pelo nome de Suspensório de Pavlick e
precisa ser corretamente colocada para que produza bom resultado.
 
Quando a criança já tem mais de seis meses, geralmente
é necessária uma cirurgia para liberar alguns músculos
e tendões no quadril que estejam encurtados e impedindo o
posicionamento correto da articulação. Essa cirurgia
é chamada de tenotomia é o pós-operatório
inclui a colocação de um aparelho gessado com os quadris
fletidos e rodados externamente, de modo a manter o quadril em posição
anatômica.
Quando a criança tem mais de dois anos, há necessidade
da realização de uma osteotomia, que é uma
cirurgia em que o osso é cortado e fixado na posição
correta. Essa osteotomia costuma estar associada a uma tenotomia,
procedimento cirúrgico já descrito.
O objetivo do tratamento é a manutenção da
cabeça do fêmur em posição centralizada
no interior da cavidade acetabular da bacia, para que o próprio
desenvolvimento da criança se encarregue de normalizar a
relação articular.
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