SUBSTITUIÇÃO DE PRÓTESES
Toda pessoa que coloca uma prótese poderá precisar
trocá-la total ou parcialmente. Os implantes apresentam variações
de composição, modelo e fabricante e nem todos tem
o mesmo tempo de duração, que pode variar em média
de 15 a 30 anos.
Fatores que influenciam na longevidade
da prótese
- A maneira com que o polietileno (parte plástica do componente
da bacia, que articula com a cabeça metálica da
parte femoral) é fabricado, esterilizado e empacotado.
Hoje sabemos que aqueles que não são polidos adequadamente,
não são irradiados e não são embalados
a vácuo tendem a se deteriorar em menor tempo.
- A técnica de fixação da prótese.
As cimentadas têm mostrado menor durabilidade do componente
acetabular, com soltura mais precoce.
- O tipo de superfície de contato. A cerâmica-cerâmica
e a metal-metal mostraram maior durabilidade que o polietileno-metal
em pacientes com maior atividade física.
- A soltura asséptica (sem infecção) é
responsável por 80% das causas de troca.
- A osteólise, que é uma reação do
organismo contra as micro-partículas de polietileno liberadas
pela prótese. As células de defesa chamadas de macrófagos
irão envolver essas partículas. Outras células,
com o intuito de "limpar" a área e eliminar os
macrófagos com a partícula em seu interior, irão
provocar a absorção do tecido ósseo ao redor
da prótese, o que poderá ocasionar sua soltura.
- Falha na colocação da prótese, seja pela
escolha indevida do implante ou pelo próprio posicionamento,
o que pode precipitar o aparecimento das partículas de
desgaste e desprendimento do osso.
- Contaminação por bactérias
ou fungos durante a cirurgia podem levar à soltura por
infecção, com a formação de um trajeto
até à pele e eliminação de uma secreção
purulenta (pus). Esta abertura tipo ferida na pele chama-se fístula.
Revisão
Uma troca de prótese é denominada revisão.
As cirurgias de revisão são muito mais complexas,
tanto para o cirurgião quanto para o paciente. O tempo operatório
é maior, a incisão é maior, o sangramento também
é maior e na verdade são duas cirurgias, pois há
necessidade de retirar a prótese implantada e substituí-la
por outra. Deve ser realizada por especialistas com experiência
nesse tipo de procedimento, pois o risco de vida é diretamente
proporcional ao tempo de cirurgia. Recomenda-se, além disso,
a internação do paciente em hospital com excelente
infra-estrutura, CTI, banco de sangue e centro cirúrgico
com salas apropriadas. O tempo de internação costuma
ser maior do que nas cirurgias para colocação de próteses.
Quanto mais tempo passar após a indicação
da revisão, mais difícil será realizá-la,
pois o osso que sustenta uma prótese solta ou danificada
tende a ser reabsorvido e essa perda poderá ocasionar danos
graves, com possível comprometimento do resultado final.
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| Prótese solta. As setas
pretas mostram a posição original. A seta azul
indica a direção do deslocamento e soltura. Há
uma grande área de reabsorção do osso acima
da prótese, na parte superior da linha amarela. |
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| Após a revisão
foi enxertado osso em toda a área delimitada pelas setas
pretas e colocado cimento na que está assinalada pelas
verdes. |
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| Quando existem cavidades no
osso da bacia que impedem a sustentação da prótese,
utilizam-se anéis retentores metálicos, como o
assinalado pela seta, com a finalidade de aumentar o apoio . |
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| Reforços de diferentes
tamanhos para o apoio acetabular |
As lesões femorais por reabsorção do tecido
ósseo também causam grande incapacidade e dificuldade
de marcha. A troca da prótese por uma de maior tamanho irá
permitir que esse osso se reestruture naturalmente.
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| Prótese com problema |
Troca por outra de maior comprimento,
pois foi preciso abrir e fechar o fêmur |
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| As ilustrações mostram
uma prótese com problemas que precisou ser substituída
e a solução indicada para o caso. |
Quando a prótese está infectada por uma bactéria
ou fungo a revisão pode ser feita em um só tempo ou
em duas ocasiões distintas. Na segunda hipótese, no
procedimento inicial procede-se à retirada e limpeza do local
onde estava a prótese e alguns meses depois da cura da infecção
a uma segunda cirurgia para colocação de nova prótese.
A revisão deve ser muito bem planejada e mesmo assim poderão
ocorrer complicações. Portanto, o melhor a fazer é
colocar uma prótese primária de boa qualidade e acompanhar
a evolução desse implante com consultas de 6 em 6
meses por toda a vida. Caso haja necessidade de troca, que seja
realizada o mais breve e rápido possível, para se
evitar problemas maiores.
Existe uma frase que define bem as incertezas que cercam uma cirurgia
de revisão de prótese:
Não há nada tão previsível
como uma artroplastia de primeira vez e nada tão imprevisível
quanto uma artroplastia de revisão.
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